JESUS CRISTO, O FILHO DE DEUS

Em toda nossa caminhada devemos ter sempre Cristo como nosso guia. Ele nos guarda a cada dia. "Porque dele, e por ele, e para ele são todas as coisas; glória, pois a ele eternamente. Amém." Sejam bem vindos ao nosso blog em o nome do Senhor Jesus !!! Disse Jesus: Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve. Eis que venho sem demora; guarda o que tens, para que ninguém tome a tua coroa. Amo ao Senhor Jesus Cristo, porque Ele me amou primeiro e trouxe-me para a sua maravilhosa presença. Deus é tremendo !!!

sábado, 18 de abril de 2015

SANTOS PADRES X ESCRITURAS SAGRADAS

"Os santos padres nos dizem que em vão amarão o “Filho” os que não amam a “Mãe”, pois inseparáveis são esses dois amores". (Trecho retirado do livro: Imitação de Maria).

Nós cristãos, precisamos antes de confiar nas palavras dos "santos padres", fazer como faziam os crentes de Beréia, examinar as escrituras para ver se as coisas são realmente da maneira que nos dizem (Atos 17:11).  Texto algum nas sagradas letras, nos ensinam essa declaração acima.
Jesus nos ensina a amar a Deus sobre todas as coisas e ao nosso próximo como a nós mesmos, e amar a Deus é obedecer os seus mandamentos.  Diz as escrituras em I João 5:1-2: Todo aquele que crê que Jesus é o Cristo é nascido de Deus; e todo aquele que ama ao que o gerou, também ama ao que dele é nascido.  Nisto conhecemos que amamos os filhos de Deus: quando amamos a Deus e guardamos os seus mandamentos.
Maria foi usada por Deus para trazer a humanidade de Cristo, pois Ele já existia, ela foi escolhida para ser a mãe de Jesus, porém, ela também é filha de Deus, porque certamente ela creu no Filho de Deus.  Não lemos em parte alguma dos escritos apostólicos tal ensinamento dos "santos padres".
A fé em Jesus Cristo, nos torna filhos de Deus, e esse "amor" a "mãe", conforme dizem os que assim crêem não foi mencionado em nenhuma carta apostólica.
"Os santos padres nos dizem",  mas as escrituras sagradas nada disso afirmam.
Jesus Cristo não menciona que devemos crer na mãe dele (João 14:1-31), e em ponto algum do Novo Testamento os discípulos de Jesus, que foram enviados a proclamar as boas novas e a ensinar tudo o que Jesus ensinou a eles, mencionam a veneração a mãe de Jesus, assim, podemos deduzir que a não veneração à Maria, nada tem a ver com a diminuição dessa que foi a escolhida pelo Pai, para trazer a humanidade de Jesus ao mundo, e muito menos diminui a Jesus, ao qual  foi dado todo poder no céu e na terra.
A tradição é muito boa, mas nem tudo é confiável, pois nem tudo que consta na tradição, foram os apóstolos que ensinaram, mas sim, foram ideias que foram surgindo no meio da igreja e foram sendo assimiladas como verdade e se tornaram dogmas.
Como que é em vão amar o Filho,  se é o Filho que morreu por nós, para nos salvar, e o Filho mesmo disse:  Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida.  Ninguém vem ao Pai, senão por mim (João 14:6), o Filho não nos disse que temos que ir a mãe, para sermos aceitos pelo Pai.  Interessante mencionar também, que após o milagre de Jesus nas bodas em Caná, diz as sagradas escrituras, que os discípulos creram nele (João 2:11), não diz que creram no Filho e na mãe.  Os magos do oriente quando foram adorar a Jesus, adoraram o Filho (Mateus 2:2,11)  Acaso isso é não amar a mãe de Jesus ?  Amar a mãe de Jesus, nada tem a ver com cultuá-la, e nem pô-la como medianeira, pois o nosso culto deve ser a Deus (Mateus 4:11), e o Filho é o nosso mediador (I Timóteo 2:5).
A mãe de Jesus, disse que todas as gerações a chamariam de bem aventurada (Lucas 1:48).  Bem aventurada convém dizer que é mais que feliz, abençoada, isso não quer dizer que ela tenha mandado as gerações cultuá-la.
Não queremos dizer com isso que desprezamos o importante papel da mãe de Jesus, mas as sagradas escrituras não nos orientam a colocá-la no patamar que religião a coloca.
Quem vive e reina e está assentado a direita de Deus Pai, é o Filho, e não a mãe, embora os marianos pensem, pelo menos é isso que passam para nós, que a mãe de Jesus está intercedendo por nós.  Isso não é bíblico, é pura ideologia.
Não dirigirmos nossas orações a Maria, e nem cultuá-la, não é falta de amor para com ela, pois ela mesma disse aos serventes nas bodas de Caná : Fazei tudo quanto ele vos disser (João 2:5), e o Filho não nos disse para seguirmos a mãe, mas sim a Ele que veio ao mundo para nos salvar.
Cristãos não estão fundamentados em ideologias humanas, mesmo que essas sejam antigas, mas sim, estão fundamentados na fé na pessoa do Senhor e Salvador Jesus Cristo, que prometeu estar conosco todos os dias até a consumação dos séculos (Mateus 28:20).
Quem ama o Filho, ama o Pai, ama ao próximo, e essa é a recomendação de Jesus Cristo e dos apóstolos.
Lembremos sempre, que as sagradas escrituras, tanto pelos ensinamentos de Jesus Cristo, e pelos ensinamentos dos apóstolos, nos direcionam a crer em Deus Pai, através do Filho de Deus, o Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, e não através da mãe do Filho de Deus, e em nenhum momento lemos que os apóstolos nos direcionam a crer em Maria.

CREDO DE SANTO ATANÁSIO

Este credo, apesar do nome, foi divulgado por Santo Ambrósio, foi incluído na liturgia, é autêntica profissão de fé e é totalmente reconhecido pela Igreja Católica.
1. Quem quiser salvar-se deve antes de tudo professar a fé católica.
2. Porque aquele que não a professar, integral e inviolavelmente, perecerá sem dúvida por toda a eternidade.
3. A fé católica consiste em adorar um só Deus em três Pessoas e três Pessoas em um só Deus.
4. Sem confundir as Pessoas nem separar a substância.
5. Porque uma só é a Pessoa do Pai, outra a do Filho, outra a do Espírito Santo.
6. Mas uma só é a divindade do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo, igual a glória, coeterna a majestade.
7. Tal como é o Pai, tal é o Filho, tal é o Espírito Santo.
8. O Pai é incriado, o Filho é incriado, o Espírito Santo é incriado.
9. O Pai é imenso, o Filho é imenso, o Espírito Santo é imenso.
10. O Pai é eterno, o Filho é eterno, o Espírito Santo é eterno.
11. E contudo não são três eternos, mas um só eterno.
12. Assim como não são três incriados, nem três imensos, mas um só incriado e um só imenso.
13. Da mesma maneira, o Pai é onipotente, o Filho é onipotente, o Espírito Santo é onipotente.
14. E contudo não são três onipotentes, mas um só onipotente.
15. Assim o Pai é Deus, o Filho é Deus, o Espírito Santo é Deus.
16. E contudo não são três deuses, mas um só Deus.
17. Do mesmo modo, o Pai é Senhor, o Filho é Senhor, o Espírito Santo é Senhor.
18. E contudo não são três senhores, mas um só Senhor.
19. Porque, assim como a verdade cristã nos manda confessar que cada uma das Pessoas é Deus e Senhor, do mesmo modo a religião católica nos proíbe dizer que são três deuses ou senhores.
20. O Pai não foi feito, nem gerado, nem criado por ninguém.
21. O Filho procede do Pai; não foi feito, nem criado, mas gerado.
22. O Espírito Santo não foi feito, nem criado, nem gerado, mas procede do Pai e do Filho.
23. Não há, pois, senão um só Pai, e não três Pais; um só Filho, e não três Filhos; um só Espírito Santo, e não três Espíritos Santos.
24. E nesta Trindade não há nem mais antigo nem menos antigo, nem maior nem menor, mas as três Pessoas são coeternas e iguais entre si.
25. De sorte que, como se disse acima, em tudo se deve adorar a unidade na Trindade e a Trindade na unidade.
26. Quem, pois, quiser salvar-se, deve pensar assim a respeito da Trindade.
27. Mas, para alcançar a salvação, é necessário ainda crer firmemente na Encarnação de Nosso Senhor Jesus Cristo.
28. A pureza da nossa fé consiste, pois, em crer ainda e confessar que Nosso Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus, é Deus e homem.
29. É Deus, gerado na substância do Pai desde toda a eternidade; é homem porque nasceu, no tempo, da substância da sua Mãe.
30. Deus perfeito e homem perfeito, com alma racional e carne humana.
31. Igual ao Pai segundo a divindade; menor que o Pai segundo a humanidade.
32. E embora seja Deus e homem, contudo não são dois, mas um só Cristo.
33. É um, não porque a divindade se tenha convertido em humanidade, mas porque Deus assumiu a humanidade.
34. Um, finalmente, não por confusão de substâncias, mas pela unidade da Pessoa.
35. Porque, assim como a alma racional e o corpo formam um só homem, assim também a divindade e a humanidade formam um só Cristo.
36. Ele sofreu a morte por nossa salvação, desceu aos infernos e ao terceiro dia ressuscitou dos mortos.
37. Subiu aos Céus e está sentado a direita de Deus Pai todo-poderoso, donde há de vir a julgar os vivos e os mortos.
38. E quando vier, todos os homens ressuscitarão com os seus corpos, para prestar conta dos seus atos.
39. E os que tiverem praticado o bem irão para a vida eterna, e os maus para o fogo eterno.
40. Esta é a fé católica, e quem não a professar fiel e firmemente não se poderá salvar.

Fonte : Editora Cleofas - Doutrina e Teologia
 Professor Felipe Aquino

Obs :  Entendo por fé católica, tudo o que foi propagado por Jesus Cristo e pelos Apóstolos, e que todos os que aceitam o sacrifício de Jesus Cristo e obedecem os seus ensinamentos participam dessa benção.  Jesus Cristo veio ao mundo, padeceu, morreu, mas ao terceiro dia ressuscitou e está assentado a direita de Deus Pai.  Ele incubiu aos seus discípulos que pregassem o evangelho a todas as criaturas, ensinando as a guardar tudo o que Ele mandara (Mt 28:16-20; Mc 16:15-20).  E esses ensinamentos começaram em Jerusalém, e chegaram até aos nossos dias.  Jesus Cristo vive e reina eternamente.

domingo, 12 de abril de 2015

A REFORMA PROTESTANTE

NA ALEMANHA

Os alemães viviam em regime de diferentes principados dotados de ampla autonomia e cidades livres pertencentes ao Sacro Imério Romano-Germânico.  O imperador dependia dos principis nobres para exercer seu pode; suas decisões precisavam ter o consentimento dos príncipes germânicos.  Essa estrutura inviabilizava qualquer forma de centralização política em torno do imperador.  Tal divisão política favorecia o poder  da igreja que, além de ser a maior proprietária de terras, cobrava impostos, recolhia esmolas, vendia relíqueas e indulgências.
A economia do Sacro Império preservava características comuns ao período medieval como a servidão em larga escala e os vínculos de fidelidade existentes naquele período.
Quando os imperadores do Sacro Império preservava características comuns ao período medieval como a servidão em larga escala e os vínculos de fidelidade existentes naquele período.
Quando os imperadores do Sacro Império, Maximiliano I (1493-1519) e Carlos V (1519-1556), tentaram compreender a centralização, estendendo seu poderio sobre a nobreza alemã, o processo da Reforma estava em voga.  A dinastia Habsburgo, à qual pertenciam os dois reis citados, dominava a Espanha e era vista com desconfiança pelos nobres alemães.
Foi nesse contexto que o religioso Martinho Lutero, um monge agostiniano, promoveu o movimento reformista que abalou a cristandade europeía.  Lutero vivia atormentado com a teoria do pecado original e não acreditava na possibilidade da redenção humana apenas por suas próprias forças.  Para ele, o homem era indigno da salvação; portanto ela não poderia vir pelas obras como ensinava a igreja católica, mas apenas pela sua fé (solifideísmo).  Os ensinamentos teológicos de Lutero se completam com outros dois pontos:  a visão que só a escritura, ou sejam apenas os textos bíblicos têm autoridade religiosa; e que só a graça, um favor divino, poderia garantir aos homens a salvação.
Por esses princípios, Lutero desqualificava a Igreja como instituição visível detentora de algum poder na comunicação entre os homens e Deus.  Isso, por sua vez, acarretou desdobramentos políticos.  Entre eles estava o repúdio à noção de que a Igreja possuía poderes para regular a vida cristã na Terra.  Para Lutero, a Igreja abusava desse princípio e, por isso, não tinha sentido a venda de indulgências (prática essa que também não é aceita pela Igreja Ortodoxa) e nem a interferência da Igreja nos assuntos terrenos.  Ele propunha que a autoridade dos reis fosse legítima, sem contar contar com o reconhecimento desse poder por parte da Igreja.  Sua discordância dos ensinamentos da Igreja levou-o a afixar, em 1517, suas "95 teses" na porta da catedral de Wittemberg.
Nessas teses estão a condenação das indulgências, críticas  à hierarquia católica, à existencia do papa(A Igreja Ortodoxa também não reconhece o papa como autoridade máxima do cristianismo), à necessidade de dar esmolas e ao uso da Bíblia em latim.  a livre interpretação dos textos sagrados, sem o auxílio do clero, e celebrações religiosas mais simples, baseadas exclusivamente no texto bíblico também eraam defendidas.

REAÇÃO CATÓLICA ROMANA E DO IMPERADOR

A Igreja não assistiu passiva a essas críticas.  O papa Leão X redigiu uma bula em 1520 e declarou heréticas as propostas de Lutero.  Ele devia se retratar sob pena de excomunhão.  Mas ele recusou a fazê-lo e queimou a bula papal em público, em nome da liberdade espiritual.  Esse gesto tido como o marco do protestantismo.  Lutero foi excomungado.
O Imperador V convocou-o a se pronunciar em uma reunião imperial e de nobres, conhecida como a Dieta de Worms, por ter sido realizada na cidade de mesmo nome, em 1521, para se retratar.  Ele compareceu e manteve suas ideias.  Condenado pela Dieta, graças ao apoio de Frederico da Saxônia, refugiou-se em seu castelo, onde se dedicou à tradução da Bíblia para o alemão.

A REFORMA NA SUÍÇA E A PROPAGAÇÃO DO CALVINISMO

As ideias reformistas de Lutero espalharam-se por outras regiões europeias.  Na Suíça, as ideias reformistas foram implantadas por Ulrich Zwinglio (1484-1531), que pregava a obediência radical às Escrituras.
Outro nome importante na Reforma na Suíça foi o do francês João Calvino (1509-1564), que após a sua conversão ao protestantismo, foi perseguido por suas ideias e refugiou-se na Suíça.  Em Genebra adotou um modelo religioso e político para construir uma "cidade-igreja", que interferia na vida das pessoascom a proibição, por exemplo de jogos e de festas.
Calvino é considerado o principal formulador do pensamento teológico reformado pelas ideias apresentadas na obra Institutas da Religião Cristã.  A teoria calvinista concordava com o princípio da justiticação pela fé e incorporava um outro elemento:  a teoria da predestinação, segundo a qual Deus, por ser onisciente, sabe o destino que cada pessoa terá e, portanto, nada podem fazer os homens para alterar o que lhes irá acontecer.  Para identificar o sinal da graça, os homens devem seguir uma disciplina rígida que enfatiza o trabalho intenso e o controle de gastos levam à riqueza, que seria um sinal de predestinação.
No campo político, a principal contribuição do calvinismo está na defesa do direito à resistência política diante dos governantes, quando estes excedem suas funções.  No entanto, para evitar uma abordagem mais radical, cada grupo deve resistir "a partir de seu lugar".  Assim, um magistrado deve ser advertido inicialmente por outro magistrado.  A participação popular deve ocorrer apenas quando há uma usurpação e nenhum magistrado se interpõe ao usurpador, tornando ilegítimo o exercício dessa autoridade.
Os calvinistas tiveram papel diferente em cada país:  na França, eram conhecidos como huguenotes e, em troca da libertado de culto maquele país católico, eles não deferenderam radicalmente a ideia de resistência política, mesmo quando os governantes não agiam de acordo com a "vontade divina".
Na Escócia, onde já contavam com ampla base naquela sociedade, eram chamados de presbiterianos e tiveram a lideranla de John Knox (1505-1572).  Defendiam o direito à resistência quando uma autoridade superior fosse um homem "ignorante de Deus" ou "perseguidor dos membros de Cristo"
Na Inglaterra, os calvinistas foram chamados de puritanos, pois após o cisma de Henrique VIII, que fundou a Igreja anglicana, os puritanos queriam "purificar" essa Igreja, estabelecer as bases para uma nova ordem social e realizar o plano divino, ao qual eles acreditavam ser os predestinados.

A REFORMA NA INGLATERRA

A Reforma religiosa na Inglaterra não foi protagonizada por um debate teológico, mas pela ação do próprio rei, Henrique VIII.  O rei, pretendendo um herdeiro masculino, apresentou ao papa um pedido de anulação de seu casamento com Catarina de Aragão.  O papa rejeitou esse pedido e o rei rompeu com Roma e casou-se com Ana Bolena.
Na disputa entre o rei e o papa havia motivações maiores que a questão do matrimônio.  Ao se opor à Igreja e envolver a pequena nobreza, o rei desencadeou um movimento nacionalista e proclamou-se líder supremo da Igreja anglicana, em 1534.  Pouco depois, confiscou as terras e propriedades da Igreja, dissolveu mosteiros e consolidou o seu poder o seu poder na Inglaterra ao tornar-se o chefe da Igreja Reformada, a Igreja anglicana.
Os aspectos teológicos e litúrgicos da Igreja anglicana pouco divergiam daqueles da Igreja católica, mas os bispos que juravam lealdade a Henrique VIII para preservar seus postos não criaram um Igreja com ensinamentos próximos aos ideiais reformados, como a ênfase em rituais simplificados e sem a intermediação eclesiástica.  Estes são alguns questionamentos feitos pelo espírito reformista dos puritanos ingleses e que, associados a questões políticas e religiosas, levaram a conflitos no século XVII.


Obs: Infabilidade papal, purgatório, indulgência, são ideias que não são aceitas por ortodoxos e Igrejas reformadas.
Sobre Maria a Igreja Ortodoxa acredita que ela é a mãe de Deus, mas não aceita que ela foi gerada sem pecado, como pensa o romanismo, mas sim que ela foi purificada na ocasião que o Espírito Santo desceu sobre ela.
A ideia de Maria ser a mãe de Deus, continou sendo aceita pelos reformadores, embora alguns deixaram de acreditar nisso com o passar do tempo.
Quase 470 anos após o Cisma do Oriente, reformadores como Lutero e outros,romperam com o romanismo, assemelhando-se com os Ortodoxos em alguns aspectos que estão citados acima, provando assim, que sempre houveram controversas a respeito de algumas doutrinas romanas.
Segundo se lê a respeito da Igreja Ortodoxa, os livros considerados apócrifos, sempre foram aceitos pela igreja, porém, não eram considerados canônicos, eram vistos em importância como inferiores aos livros canônicos.
Esses livros foram aprovados como canônicos pela Igreja de Roma, em 8 de abril de 1546.

Uns dos testemunhos sobre os apócrifos:

 ATANÁSIO: De modo semelhante, em 367 d.C., o grande líder da igreja, Atanásio, bispo de Alexandria, escreveu sua Carta Pascal e alistou todos os livros do nosso atual cânon do Novo Testamento e do Antigo Testamento, exceto Éster. Mencionou também alguns livros dos apócrifos, tais como a Sabedoria de Salomão, a Sabedoria de Sirac, Judite e Tobias, e disse que esses não são na realidade incluídos no cânon, mas indicados pelos Pais para serem lidos por aqueles que recentemente se uniram a nós e que desejam instrução na palavra de bondade". 

JERONIMO: Jerônimo (340-420.dc.) propugnou, no Prologus Galeatus. A citação pertinente de Prologus Galeatus é a seguinte: "Este prólogo, como vanguarda (principium) com capacete das Escrituras, pode ser aplicado a todos os Livros que traduzimos do Hebraico para o Latim, de tal maneira que possamos saber que tudo quanto é separado destes deve ser colocado entre os Apócrifos. Portanto, a sabedoria comumente chamada de Salomão, o livro de Jesus, filho de Siraque, e Judite e Tobias e o Pastor (supõe-se que seja o Pastor de Hermas), não fazem parte do cânon. Descobri o Primeiro Livro de Macabeus em Hebraico; o Segundo foi escrito em Grego, conforme testifica sua própria linguagem". Jerônimo, no seu prefácio aos Livros de Salomão, menciona ter descoberto Eclesiástico em Hebraico, mas declara em sua; convicção que a Sabedoria de Salomão teria sido originalmente composta em Grego e não em Hebraico, por demonstrar uma eloqüência tipicamente helenística. "E assim", continua ele, ("da mesma maneira pela qual a igreja lê Judite e Tobias e Macabeus (no culto público) mas não os recebe entre as Escrituras canônicas, assim também sejam estes dois livros úteis para a edificação do povo, mas não para estabelecer as doutrinas da Igreja"). e noutros trechos, prima pelo reconhecimento de apenas os vinte e dois livros contidos no hebraico, e a relegação dos livros apócrifos a uma posição secundária. Assim, no seu Comentário de Daniel, lançou dúvidas quanto à canonicidade da história de Suzana, baseando-se no fato que o jogo de palavras atribuído a Daniel na narrativa, só podia ser derivado do grego e não do hebraico (inferência: a história foi originalmente composta em grego). Do mesmo modo, em conexão com a história de Bel e a do Dragão, declara; "a objeção se soluciona facilmente ao asseverar que esta história especifica não está incluída no texto hebraico do livro de Daniel. Se, porém, alguém fosse comprovar que pertence ao cânone, seríamos obrigados a buscar uma outra resposta a esta objeção"


Fonte : História Geral e do Brasil -  2ª edição - 2011.

Fonte sobre apócrifos :  Universidade da Bíblia.

CATÓLICOS ROMANOS E ORTODOXOS (RESPOSTA DE UM ORTODOXO A UM CATÓLICO ROMANO)

Do Facebook



Tiro no pé II - Pio XII e o Patriarca ortodoxo de Constantinopla

Fazer apologética com os ortodoxos é mais trabalhoso e difícil, reconhecemos. Negociar com 15 denominações ortodoxas separadamente é um problema, pois estes cismáticos estão em cisma não somente em relação a Igreja Católica mas entre eles mesmos.

São autocéfalos, étnicos e nacionalistas no cada um por si. E isto é um grande problema.
.
Salvo engano, os ortodoxos usam o argumento do patriarcado para negar a jurisdição petrina. Como se para eles o governo da Igreja é dividida por igual aos apóstolos.
Na Igreja Católica, a hierarquia dos Patriarcados continuaram, o que muda é realmente o entendimento d’eles. Porque os Patriarcados católicos são autônomos, já entre os cismáticos há os autônomos, mas também há os autocéfalos como eles continuam tratando a questão.

Os bispos ortodoxos receberam o caráter do sacerdócio episcopal, mas não foram imbuídos da autoridade para ensinar, governar e santificar. E são hereges, porque negam e duvidam de doutrinas que foram solenemente definidas, e impostas a eles mesmos, no Concílio de Florença.

Os fiéis mais próximos de uma futura conversão em massa seriam os do Patriarcado de Constantinopla e o Búlgaro.


Resposta:

Caro Manoel, não sei de onde vc tirou este texto ou se é de sua autoria. Seja lá como for, ele revela uma grande ignorância tanto sobre a Santa igreja Católica Ortodoxa como da própria história. Confundir autocefalia e autonomia com cisma é uma estupidez que só vi igual no Cardeal Humberto (este, sim, um vendeiro cismático), ao acusar os gregos de retirar o "filioque" do Credo. Interessante é que na Ortodoxia não temos entre nós movimento carismático, teologia da libertação, modernista, igrejas particulares com direito canônico próprio e com tradições heterogêneas ou qualquer movimento que dê tom diferente à Fé dos Apóstolos, e nós é que somos cismáticos entre si.

Talvez nós devamos estar perdendo a razão por acreditar que a Fé nasceu em Jerusalém e não em Roma, talvez a oligofrênia nos leve a deduzir que o "primado" petrino seja por sucessão histórica primeiramente em Jerusalém e Antioquia (igrejas que existem) até hoje e são dois grandes Patriarcados.

Quem sabe, se um dia recuperarmos a razão, acreditaremos que Cristo foi crucificado em Roma, que os Apóstolos eram romanos, que o Pentecostes aconteceu no Coliseu, que os Apóstolos usavam a Vulgata e não a Septuaginta e que o Novo Testamento fora originalmente escrito em latim e não em grego.

Também deveremos acreditar que as decisões dos Concílios Ecumênicos que normalizam o governo da Igreja em Patriarcados isonômicos e estabelecem as autocefalias e autonomias sejam falsificações históricas grosseiras e acreditar (contrariando todas as provas históricas) que as "pseudo-decretais" e toda lambança jurídica que procura dar ao Bispo de Roma a sucessão direta do primado petrino e conferir-lhe jurisdição universal é que são as autênticas normas eclesiásticas. Ou talvez devemos pensar que as Assembleias Universais (Concílios Ecumênicos) devam ser vista como particulares e as de Roma (apesar de unilateral) como universais. Ora, convenhamos, é preciso uma dose imensurável de ignorância e imbecilidade para ver as coisas dessa maneira. Caso esses fatores condicionantes e limitantes não existam, deveremos pensar no quê? Desonestidade? Farisaísmo?

E por falar em conversão em massa, o Segundo “segredo” de Fátima falava da conversão da Rússia. Historicamente a Rússia deixou de ser ateia para voltar a ser Ortodoxa. Este fato tem abalado a fé de vários clérigos romano-católicos. Ou a profecia era uma mentira ou estaria nossa Senhora tb em cisma com o Papa de Roma? Veja para onde esses desvarios nos levam.

Fonte :  Observatório Ortodoxo

sábado, 11 de abril de 2015

ROMA E A IGREJA CATÓLICA (I)

Roma e a Igreja Católica (I)

A divulgação da Declaração "Resposta a Questões Relativas a Alguns Aspectos da Doutrina Sobre a Igreja" de autoria da "Congregação Para a Doutrina da Fé" da Igreja Romano-Católica, foi acolhida e divulgada pela imprensa em tons distorcidos e (quem sabe?), talvez, até sob a expectativa de um tiroteio entre as comunidades cristãs. Equívocos, porque a rigor, o Vaticano em momento algum afirma ser a Igreja de Roma a "única igreja verdadeira" como alguns querem compreender. Ela fala em "subsistência", mas, não em verdade, ao contrário, o texto afirma categoricamente:
"...segundo a doutrina católica, é correcto afirmar que, nas Igrejas e nas comunidades eclesiais ainda não em plena comunhão com a Igreja católica, a Igreja de Cristo é presente e operante através dos elementos de santificação e de verdade nelas existentes..."
No entanto, a afirmativa posterior a esta é de que a igreja católica subsiste plenamente nas Igrejas sob a chefia de Roma; isto por causa da tradição romana (porém, não católica) de ser o Papa Romano (posto que na Igreja Católica outros bispos também são chamados de Papa) a Cabeça Visível da Igreja e fonte da unidade visível da Igreja de Cristo. Neste mesmo documento, o Vaticano reconhece a legitimidade da Igreja Ortodoxa, admite a existência de laços estreitíssimos entre as duas igrejas e as chamas de irmãs, com a ressalva de que existe uma situação lacunosa pelo fato das Igrejas Ortodoxas não aceitarem a doutrina da chefia do Papa Romano. A dimensão realmente mais desconfortável fica por conta da concepção em relação às comunidades da Reforma, posto que nelas estejam ausentes vários e basilares elementos que caracterizam a identidade católica, mesmo assim, o documento reconhece que o Espírito Santo utiliza-se destas comunidades como de instrumentos de salvação, cujo valor deriva da mesma plenitude da graça e da verdade que foi confiada à Igreja católica.
A maioria da população (inclusive muitos líderes de igreja) não leu o texto do Vaticano e absorveu a notícia (veiculada sem dar voz à Roma) permitindo que cada um a entendesse do seu modo e bel-prazer.
A rigor, também, nós Ortodoxos não somos compreendidos perfeitamente, quando afirmamos - por razões teológicas e históricas - ser a Ortodoxia a autêntica fé pregada por Cristo, transmitida pelos Apóstolos e preservada incólume (sem adições e nem subtrações) ao longo de todos os séculos, em legítima e inquestionável sucessão apostólica.
O que é lacunosa, na verdade é a compreensão que muitos católicos romanos têm da identidade de sua igreja. Todos pensam que em toda a parte do mundo a igreja católica romana é uma instituição monolítica, ou seja, que em todos os povos se celebra o mesmo rito, mantêm-se as mesmas tradições e disciplinas que os católicos romanos estão acostumados a ver no Brasil. Na verdade, a Igreja Católica Romana é a maior e a líder de um conjunto de 23 igrejas autônomas (igrejas que se autogovernam - sem a interferência direta do bispo de Roma, onde os sacerdotes podem casar, os féis participam do pão e do vinho, em vez de hóstia come-se o pão com fermento, ao invés de imagens de escultura usam ícones, os clérigos usam barba e etc...). De fato estas igrejas têm a cara da Igreja Ortodoxa, mas estão ligadas a Roma muito mais por razões históricas do que teológicas. É bom lembrar também que a própria Roma por quase mil anos seguia estas mesmas tradições e disciplinas.
Num mundo fragmentado como este que vivemos o diálogo ecumênico se faz mais do que necessário. Todavia o diálogo não pode e nem deve ser um ato teatral e meramente diplomático. É preciso que este diálogo trafegue pela via de um espírito fraterno, respeitoso e ao mesmo tempo claro e preciso (sem ambigüidades e ambivalências de palavras e gestos).
Acredito que o documento do Vaticano é inadequado ao ecumenismo das fotos e das cerimônias públicas e dos gestos externos de deferência e sorrisos largos. No entanto, ele é extremamente útil ao diálogo honesto, onde a consciência de si não é negada e nem mascarada, pois, somente o Espírito da Verdade,procedente do Pai e a nós enviado pelo Filho, pode gerar a consciência comum. Por esta razão, a Liturgia Bizantina - de forma insistente e incessante - inicia-se com as seguintes petições:
Diác. - Em Paz, oremos ao Senhor.
Coro - Kyrieeléison! (Senhor, tem piedade)
Diác. - Para que ele nos conceda a Paz celeste e a salvação de nossas almas, oremos ao Senhor.
Coro – Kyrieeléison. (Senhor, tem piedade)
Diác. - Para que reine a Paz no Universo, pela prosperidade das Santas Igrejas de Deus e pela união de todos, oremos ao Senhor.
Diác. - Kyrie, eléison! (Senhor, tem piedade)

Fonte :  Observatório Ortodoxo

sexta-feira, 10 de abril de 2015

O PRIMADO DE SÃO PEDRO NA IGREJA ORTODOXA

Por Padre Mateus (Antonio Eça)
Vigário do Brasil da Metrópole Ortodoxa do Equador e Amérlica Latina
Santo Sínodo Grego do Calendário Patrístico - GOX

A mídia Ocidental, vez por outra veicula imagens e notícias que mostram uma crescente cordialidade entre o Patriarca de Constantinopla e o Papa de Roma. Estes encontros amistosos e a existência de um canal aberto de diálogo, passam para a população a ideia de que a unidade entre as duas Igrejas está bem próxima; no entanto, a história não é bem assim. Todo esse diálogo e o desejo de reatar a comunhão esbarra bruscamente num ponto: No que vem a ser o Primado Petrino e qual é o papel do Bispo de Roma?

Esta nos parece ser uma discursão sem fim - não porque não haja conhecimento de ambas as partes dos dados da Santa Tradição (e isto inclui as Santas Escrituras) - mas porque outros fatores mediam a interpretação e aplicação desses dados.

Da nossa parte, podemos dizer – sem espírito de soberba e desprezo do outro – que a posição Ortodoxa é inequívoca e sem subterfúgios retóricos e hermenêuticos na abordagem dos dados históricos. E é bom lembrar que a posição que sempre foi - e até hoje é sustentada no Oriente - também foi por vários séculos partilhada pelo Ocidente. Roma somente passou a reivindicar uma jurisdição de caráter universal no séc. IX após a aliança política com o Império Franco (que rivalizava com o Império Romano do Oriente - dito Bizantino pelo Ocidente). Quando a dinastia carolíngia entrou em declínio, os bispos ocidentais buscaram exercer uma primazia sobre o poder temporal com base em uma coleção de documentos jurídicos que mais tarde, em virtude de possuir documentos falsificados - ficaria conhecida como “Decretais do Pseudo-Isidoro”. Esta coleção muniu o Papa Nicolau I (858-867) de base jurídica para reivindicar a primazia papal sobre o poder temporal e uma jurisdição universal.
Tal aspiração papal foi levada pelo Papa Adriano II (867-872) ao III Sínodo de Constantinopla (considerado por Roma como VIII Concílio Ecumênico) e rejeitada pelo mesmo, o qual reafirmou a Pentarquia e o papel do Bispo de Roma como “Primeiro entre Iguais” (Primus inter Pares). Este dado histórico é confirmado na obra “História da Igreja Católica, Edições Loyola (2006), pgs 123, 176”. Tal publicação consiste num ensaio histórico assinado por 10 historiadores (todos com doutorado em teologia, dos quais 9 são Sacerdotes Romanos e vários deles doutores em história eclesiástica com especialização em patrologia). Portanto, isto não é nenhuma digressão Oriental.

A Igreja Ortodoxa entende que Cristo conferiu a Pedro o primado entre os Apóstolos, mas em bases muito distintas do ensino romano:

Primeiramente, primado não é chefia, mas uma posição de honra (como a de um irmão mais velho). As Escrituras narram no Livro dos Atos dos Apóstolos a realização do primeiro concílio realizado na Igreja, ocorrido na cidade de Jerusalém, do qual participaram todos os Apóstolos, vários Presbíteros e irmãos da Igreja local. O interessante é que a narrativa demonstra que, embora Pedro se fizesse presente e usasse da palavra, a presidência do Concílio foi exercida por São Tiago, e é o parecer deste que é acatado, expressando sua fala a unidade do Concílio e a direção do Espírito Santo (Atos 15:1-29). Curioso também, é que na sua fala, São Pedro se refere à sua primazia, não como chefe dos Apóstolos, mas como aquele que teve a honra de ser eleito por Deus para ser o primeiro a anunciar o Evangelho aos gentios (Pedro é quem abre as portas da Igreja para os gentios entrarem, assim como ele no Pentecostes abriu as portas da Igreja para os judeus e prosélitos dispersos entre as nações). Deus lhe conferiu esta primazia, no entanto, tempos mais tarde, o Colégio Apostólico entenderá que a primazia entre os gentios, agora era por Deus conferida ao Apóstolo Paulo, ficando Pedro com os judeus (Gal. 2:7).

Em segundo lugar, na hipótese de ser Pedro o chefe dos Apóstolos, por que razão esta chefia seria herdada pelo bispo de Roma, se Pedro exerceu primeiramente seu pontificado na Palestina e não em Roma?

O Metropolita de Pérgamo, Ioannis Zizioulas diz pertinentemente que “os católicos devem levar a sério a noção de plena catolicidade da Igreja local promovida pelo Concílio Vaticano II, e devem aplicá-la a sua eclesiologia.”Isto é, se cada Igreja Local é verdadeiramente católica - pois ao celebrar a Eucaristia a Igreja Local entra em comunhão com todas as demais Igreja na terra e também com a Celeste - então, os Bispos que as presidem exercem localmente o primado, ou seja, a função de Pedro entre os Apóstolos.

Alban Mosher resume de forma muito feliz como o Primado Petrino é exercido na Igreja Ortodoxa:

“Todo bispo Ortodoxo que partilha corretamente a palavra de Verdade é um sucessor de São Pedro e todos os Santos Apóstolos... Todo bispo Ortodoxo em sua diocese é responsável pela preservação da unidade da igreja local e é a fonte daquela unidade. 
 Dioceses locais então se reúnem e formam um sínodo regional, com o bispo da cidade mais importante sendo o Metropolita daquele sínodo local. O Metropolita também exerce a Cátedra de São Pedro no sínodo local e é responsável pela unidade do sínodo local. 
 Vários sínodos locais então se reúnem e formam um sínodo regional, no qual o primeiro hierarca daquele sínodo regional possui o título de Arcebispo. Ele também é responsável pela unidade do sínodo regional e exerce a Cátedra de São Pedro entre eles. 
 Alguns desses Arcebispos também possuem o título de Patriarca de acordo com a história e lugar de honra pela importância da cidade que ele representa. Esta cidade geralmente é uma capital nacional, ou uma cidade associada com os Apóstolos. Desse modo, Sua Beatitude o Patriarca Ignatius IV é também um sucessor de São Pedro, que foi o primeiro bispo de Antioquia.” [1]

É também muito interessante vermos, de forma resumida, alguns dados históricos:




1.         A igreja indivisa conferiu a Roma uma primazia (e não uma jurisdição universal), de natureza disciplinar e não dogmática; e a Igreja ao se organizar juridicamente, a fim de uma melhor sintonia administrativa com o Imperador, retira do modelo de organização do Império Romano o seu modelo eclesiástico, ou seja, a Tetrarquia (Roma, Alexandria, Antioquia e Jerusalém). A Igreja se organiza administrativamente a partir de uma perspectiva teológica que ficou conhecida como"Sinfonia Bizantina" que reza sobre a independência e harmonia entre o poder Patriarcal e o Imperial.

2.         Roma foi escolhida para ser primeira por critério disciplinar e administrativo, e não por critério teológico; por ser a capital do Império, ela também deveria exercer a Primazia Patriarcal. Assim, quando o Imperador institui Constantinopla como Capital do Império no Oriente, os Concílios estabelecem sua paridade eclesiástica com Roma. Isto gerou uma gritaria em Roma porque esta estava sob domínio bárbaro e via dia a dia seu prestígio se esvanecer, e sua glória se transferindo para a nova capital Imperial, Constantinopla.

3.         A primazia na Igreja nunca foi confundida com jurisdição universal. Como bem demonstra Alba Mosher, esta é uma prerrogativa inerente a todos os Metropolitas ou Arcebispos Primazes. Modelo de Primazia partilhada nós já encontramos nas Santas Escrituras quando os Apóstolos reconhecem a primazia de Pedro sobre os cristãos judeus e a de Paulo sobre os cristãos gentílicos (Gálatas 2:7).

4.         Se o critério para estabelecer uma Sé Primaz se firmasse com base histórica na Cátedra Petrina, esta honra deveria caber a Antioquia (onde os discípulos pela primeira vez foram chamados de cristãos – Atos 11:26) e não a Roma, pois Antioquia foi a primeira Sé de Pedro (atestada pelas próprias Escrituras), foi nela e por ela que se deu a vocação, ordenação e envio do Apóstolo Paulo aos gentios. Portanto, Antioquia é a mãe da Igreja dos gentios (incluindo Roma). Pedro (o Primaz da circuncisão e Paulo o Primaz da Incircuncisão), tiveram suas primeiras Cátedras em Antioquia. Quando Roma ainda era um centro pagão, Antioquia já refulgia magnânima o seu resplendor para o mundo.

5.         A ideia de infabilidade papal não era desconhecida somente dos Ortodoxos, mas também dos próprios Cristãos Ocidentais, e isto não apenas nos primeiros séculos, mas até o século XIX, precisamente até o ano de 1870, ano em que transcorreu o Concílio Vaticano I, cuja Constituição de Fé promulgou o dogma da infabilidade papal. No entanto, esta decisão conciliar (para qual não faltaram manobras e artifícios políticos), se deu em meio a grande tumulto entre os bispos romanos, gerando até mesmo um cisma. Este cisma fez surgir a Igreja Vétero-Católica, a qual em sua gênesis se constituiu de um grande número de clérigos (bispos e padres) que se opunham a esta inovação sem fundamento eclesiológico convincente e contrária à Tradição. Eis os três primeiros tópicos da Declaração de Fé, firmada pelos Bispos e Padres dissidentes, declaração esta que ficou conhecida como a “União de Utrecht” (1889):

I.          Aderimos a Regra de Fé formulada por São Vicente de Lérins nestes termos: "Teneamus Id, quod quod, semper ubique, quod ab omnibus est Creditum; hoc est etenim Catholicum proprieque vere"(Afirmemos aquilo em que se tem acreditado em todas as partes, sempre e por todos, porque isso é verdadeiro e propriamente Católico). Assim sendo, conservamos e professamos nossa fé nas doutrinas da Igreja Primitiva expostas nos Símbolos Ecumênicos e especificadas nas decisões dos Concílios realizados pela Igreja indivisa do primeiro milênio. 


II.         Por isso, rejeitamos os decretos do Concílio Vaticano, que foram promulgados em 18 de Julho de 1870 relativos à infalibilidade e ao Episcopado Universal do Bispo de Roma, decretos que estão em contradição com a fé da Igreja Antiga, e que destroem sua constituição canônica, atribuindo ao Papa a plenitude dos poderes eclesiásticos sobre todas as Dioceses e sobre todos os fiéis. Pela negação de sua competência primacial, não queremos negar a primazia histórica que vários Concílios Ecumênicos e os Padres da Igreja antiga atribuíram ao Bispo de Roma, reconhecendo-o como o Primus inter pares. 


III.        Rejeitamos o dogma da Imaculada Conceição promulgado pelo Papa Pio IX em 1854, a despeito das Sagradas Escrituras e em contradição com a Tradição dos primeiros séculos.


Acho muito difícil que tal unidade possa acontecer. Por que? Porque do lado Ortodoxo, abrir mão da Santa Tradição é algo que seria negar a nossa própria identidade e alma, isto sem falar da firme convicção de que a Igreja é Fiel Guardiã do Depósito da Fé, não tendo autoridade nenhuma para nele mexer (alterando, somando ou subtraindo), pois, se assim o fizer, cai em apostasia e fica sob Juízo Divino. Do lado Romano,  renunciar ao seu dogma particular, é fazer desmoronar toda uma estrutura sedimentada por cerca de um milênio, o que lançaria descrédito em toda sua história e faria do seu apogeu Ocidental um castelo de areia. Renunciar à riqueza e à glória não é coisa fácil. O Jovem Rico que o diga. No entanto, para Deus, nada é impossível.




Fonte : Observatório Ortodoxo .


quarta-feira, 1 de abril de 2015